Tempos de boas músicas
PARQUE DAS CAMÉLIAS
Nos dias de cinema a três escudos
vejo filmes da Cheta e do Tarzan,
do Pedro Infante e do Joselito;
toda a gente passa no parque
bebendo o ânimo com o pirolito.
No bolso levo alguns rebuçados
para pagar promessas de amor;
as raparigas são o meu primor
e não fogem aos folguedos...
gozam ao aperto suave dos dedos
e dão largas ao toque dos guizos
sentidos no deleite dos sorrisos.
A luta livre é um chamamento
que me anima nas noites frias.
Sento-me longe da pisa de luta
para não sentir o desconforto
do gemer atrevido da prostituta,
se lhe cair o lutador em cima.
Vejo o jogo na esteira do ringue
onde os lutadores vomitam seiva
e trocam o sangue por dinheiro;
estranhas manobras de morte
que confundem com a sorte
para o meu descontentamento
e gemem a imitar o sofrimento!
Porto, Setembro de 1958
Joaquim Coelho

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