terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Boas Memórias - Boas Festas

Boas Memórias


.Clik na Imagem:


F1100020.JPG


Nesta quadra festiva, em que os ventos da desgraça

tolhem as réstias de esperança de muitas pessoas,

deixo um sinal de solidariedade universal;

especialmente aos companheiros e gentes

que respiraram ou respiram ares africanos.

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 Click na imagem




 




 


 

Natal na Guerra Colonial

BOAS FESTAS
aos Companheiros da jornada africana.
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O Natal dos tempos da guerra,
marcou as emoções dos soldados
que estavam longe da sua terra
com a saudade partida em bocados.

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O Natal na Guerra Colonial

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Só para não esquecer que houve uma guerra que marcou a vida de mais de um milhão de bons Portugueses, os quais sofreram os efeitos da ausência dos familiares e amigos na época do Natal, aqui deixo algumas imagens com MENSAGENS via RTP. BOAS FESTAS a todos vós, companheiros de jornada.
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Vontade do Mar - Guerra colonial

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Quando no isolamento do mato nos era permitido sonhar, o mar simbolizava o caminho para o regresso à pátria lusa.

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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

O Despertar dos Combatentes em Livro

 AGRADÁVEL NOTÍCIA!


 


Inesperadamente, recebi um extracto do livro de críticas a edições publicadas sobre as vivências nas guerras no continente africano e editado em França.


Além das opiniões favoráveis publicadas na imprensa portuguesa e outras difundidas na RPT-escolhas de Marcelo, o "DESPERTAR DOS COMBATENTES, fotos com estórias em Angola" mereceu o reparo do Doutor René Pélissier, crítico literário premiado pela Academia Francesa que, entre outros reparos, diz o seguinte:


"ainda nos conflitos, retiramos uma assinalável recolha de "cenas vividas"... O leitor não é obrigado a partilhar as opiniões políticas do autor, mas o historiador (René Pélissier) deve afirmar que não existe nada de mais expressivo e "homérico" sobre esta fase da guerra colonial em Angola. ... no final de tudo, nada se compara a este livro apaixonado para tomar a temperatura desta época. Joaquim Coelho... não esconde o seu jogo. ... É um livro totalmente "incorrecto" no Portugal contemporâmeo..." 


 


Clik na Imagem para Histórias da Guerra:


«


...Coelho-Despertar Com.jpg


.Coelho-livro452.jpg



                                Joaquim Coelho  - pedir para:  jotasousa39@gmail.com




 

Tributo aos Heróis

.TRIBUTO aos HERÓIS


Nem sempre o tempo ajuda a reconhecer o valor dos heróis. Muitas vezes, é a morte que serve de catalisador para o reconhecimento merecido.


O Vídeograma aqui apresentado mostra que há heróis que sobrevivem para contar a história... ainda bem. 


É o caso do ataque ao aquartelamento de Nambude-Moçambique.


Clik na Imagem para ver:


Ataque inimigo.jpg


 


inimigo morto.jpg


 


VER:   https://www.youtube.com/watch?v=d1Owe1IKdA0


 


 .

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

RESGATAR OS MORTOS ABANDONADOS

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PETIÇÃO NACIONAL


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 A memória dos Combatentes das Guerras ultranarinas só terá serenidade quando regressarem à Patria os restos mortais dos que ficaram abandonados em campas vergonhosamente degradadas. Há um dever se sangue que os governantes terão que cumprir: Trazer para o solo pátrio os que partiram com direito a regresso.


Está a decorrer a recolha de ASSINATURAS, a entregar na Assembleia da República, para que seja decretado o RESGATE para Portugal dos restos mortais dos Combatentes mortos e abandonados em terras africanas.


As listas de Assinaturas estão nas Associações de Combatentes e suas delegações, bem como nas Juntas de Freguesia aderentes. Também na INTERNET:


 


Através do Movimento Cívico de Antigos Combatentes


que em 2013 constituiu a Associação MAC.


Entregamos na Assembleia da República, em Julho de 2016, um "Projecto de Lei" para o Estatuto dos Combantentes, o qual estamnos a tentar negociar até Junho de 2018...


 


A Petição foi aprovada na Assembleia da República em Junho de 2009.


A Liga dos Combatentes não cumpriu as determinações e nada acontece!


 


VER:  https://dignificaroregresso.blogspot.com


 


      https://www.facebook.com/Antigos.Combatentes


 .


Podem assinar todos os Portugueses, maiores de 18 anos, com Bilhete de Identidade ou Passaporte.


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 .


 

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Guerra Colonial - Resgatar os mortos

+
Muitos anos passados desde o fim da guerra...
mas os tormentos não acabam enquanto
não forem resgatados os restos mortais
de todos os nossos companheiros
que perderam a vida nas campanhas africanas.
É um dever patriótico que o Estado-nação,
a que chamamos Pátria, já deveria ter cumprido.
Os antigos Combatentes não vão ficar quedos
enquanto os seus irmãos de infortúnio permanecerem
em sepulturas espalhadas pelo sertão africano.
Este vídeo é mais um alerta aos desatentos...
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Guerra Colonial - Homenagem

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TEMPOS QUE NÃO ESQUECEMOS
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Qualquer mancebo fardado
que embarcasse no navio,
tinha o destino traçado:
o perigo era um desafio!
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Enquanto marchava na picada
ou nos trilhos das matas,
ficava com a pele marcada
até regressar às camaratas.
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Se apanhava um tiro certeiro
na tragédia duma emboscada,
nem sempre tinha enfermeiro
para tapar a pele furada.
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O socorro tardava a chegar
porque o oficial das operações
andava com os coronéis a caçar
usando o heli das evacuações.
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Quantos mortos abandonados
por causas mal percebidas,
quantos feridos amortalhados
por não serem curadas as feridas.
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Para que as memórias não esmoreçam
a bondade da nossa juventude,
reclamo aos vivos que não esqueçam
estas imagens de solicitude.
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domingo, 14 de setembro de 2008

Que SAUDADES

 




 


   SAUDADE DUMA CARTA

 

Escrevo esta carta

para mitigar minha dor

e apagar a saudade

que me atrofia os dias

confrontado com a verdade

da lonjura do espaço

onde deixei meu abraço

 

não vou limpar da memória

os dia bem passados

nas escadas das Fontainhas

e nos bailes de S. Vítor

a comer saborosas sardinhas

 

parecíamos dois passarinhos

a saltitar as escadas

para descer até à linha

e ver passar os comboios

sobre a ponte D. Maria

 

não sei se voltarei um dia

levado pela tua mão

como me animavas outrora

nos bailes de S. João

 

só espero uma carta tua

antes de seguir para o norte

com um beijo de consolação

para melhor enfrentar a morte.

 

        Bembe, Fevereiro de 1962

Joaquim Coelho

 in "Capim Aveludado" - pedidos para: jotasousa39@gmail.com

 



 



 




 

sábado, 13 de setembro de 2008

VOTO SECRETO

 




 


O MEU VOTO SECRETO

 

É propósito dos governantes

comungar os desejos de Deus

honrar os compromissos

para com os desprotegidos

satisfazer as necessidades

dos fracos e desfavorecidos

e premiar a nobreza do trabalho

dos cidadãos mais honestos.

 

Para valorizar o seu povo

fazem uma exemplar gestão

do património da Nação

ao serviço da comunidade

que os há-de eleger de novo

numa salutar democracia

que só nos dá felicidade

de viver melhor cada dia.

 

Para não falhar na educação

vão-se desenvolver as mentes

no trabalho mais profícuo

a gerar boas sementes

para bem da sociedade

onde o cidadão comum

possa viver de verdade.

 

A prevenção da saúde é o sinal

e a mais fiável garantia

de qualquer doença banal

ser curada com prontidão

dos que trabalham com galhardia

em solidária comunhão.

 

Serão punidos os abusos

da governação contra o povo

e em favor dos poderosos…

quando for votar de novo

contra a usura do costume

vou derrotar os mentirosos

que nos enterram no estrume

e protegem os gananciosos.

 

Joaquim Coelho

 


 



 


 





 

domingo, 24 de agosto de 2008

Moçambique 4 - Ilha de Moçambique, ponte

+
A pacatez das crianças moçambicanas
contrasta com o movimento
dos transeuntes estranhos.

Aqui vemos trabalho, ouvimos música,
percebemos a dimensão do desenvolvimento
da língua lusa e o apego das pessoas à terra.
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terça-feira, 19 de agosto de 2008

Moçambique 2 - Costa do Sol

VISITA À COSTA DO SOL


Para quem teve o previlégio de se banhar nas águas da Costa do Sol e saborear o marisco fresco acompanhado com uma 2M, jamais poderia esquecer estes locais paradisíacos.


*Video:


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Moçambique 3 - Ilha de Moçambique

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MEMÓRIAS de SEMPRE
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Estar na Ilha de Moçambique é sentir a presença dos navegadores portugueses de outrora. As pessoas falam português com a mesma facilidade dos naturais da Pátria lusa. Existem muitos indícios da passagem dos portugueses por estas terras do Índico. O peixe e o cabrito dão para saborear a comida à portuguesa. As autoridades locais tiveram o cuidado de apresentar o seu folclore com o colorido das festas grandes.
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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Viagem a Moçambique 1 - Maputo



VIAGEM DAS COINCIDÊNCIAS
Um numeroso grupo de antigos combatentes em Moçambique, resolveu organizar uma viagem às terras por onde passou os dias da sua juventude - tempos de guerra, de angústias, de sofrimento misturado com momentos de alegria e de tristeza.
Juntamente com os Pára-quedistas do BCP32, sediado em Nacala, foi o ex-capelão do AB5 e família, mais três ex-combatentes do Exército. Inscreveram-se mais de 100, acabando por fazer a viagem 97 elementos.
Aeroporto de Lisboa

Por coincidência, nas datas marcadas para a viagem, estava prevista a tomada de posse do Governo eleito em finais de 2004, bem como a sucessão do Presidente Guebuza ao então Presidente de Moçambique, Joaquim Chissano. Na sequência de instruções dadas pelo Senhor Embaixador ao "grupo organizador", não seria aconselhável realizar aquela viagem em datas de movimentação política tão importante. Já que se tratava de um grande número de "viajantes", manifestavam interesse que fossem recebidos por representates de alguns organismos do Estado Moçambicano.
O José Praia deu música, durante a espera

Ao início da noite de 19 de Janeiro de 2005, os 97 "turistas" juntaram-se no Aeroporto de Lisboa, tendo recebido a notícia de que os Passaportes não tinham os vistos para a viagem. O representante da Embaixada de Moçambique aconselhou a que se adiasse a viagem; com telefonemas para o Gabinete da Presidência da República, para Secretários de Estado Moçambicanos, para o Presidente da Associação Portugal-Moçambique e contactos com os Delegados das Linhas Aéreas de Moçambique e TAP, lá veio a autorização para embarcar sem os "VISTOS". Estes foram dados no Aeroporto de Maputo. Cerca de 100 passageiros a ficar em terra, era um prejuízo considerável - o bom-senso acabou por prevalecescer.

A caminho de Moçambique

Qual não foi o espanto dos "organizadores" ao saberem que as coincidências eram mais que muitas, para justificar as cautelas das autoridades. Mais de quarenta antigos Pára-quedistas portugueses fazem parte da segurança dos elementos da RENAMO; o Hotel Tivoli, onde nos alojamos, tinha um andar a servir de "quartel-general" da RENAMO; nenhum grupo de antigos combatentes a visitar Moçambique tinha mais de 30 elementos; a data da tomada de posse do novo Presidente da República coincidia com os ùltimos três dias que estaríamos em Maputo.

As imagens que vamos postar no Blogue são a expressão clara de quanto os Moçambicanos gostam dos Portugueses de bem. A língua portuguesa está muito mais viva entre as populações do que no "nosso tempo". O Presidente Joaquim Chissano foi o grande defensor da língua lusa, criando escolas em todas as localidades de Moçambique.

Muito do que era dos portugueses foi adquirido pelos asiáticos, cuja gestão comercial e administrativa não agrada a muitos moçambicanos. Mas sente-se o cheiro da comida portuguesa por todos os lados. Os portugueses têm os melhores Restaurantes, estando também no turismo, comércio e construção.
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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Guerra Colonial - O Inferno das Minas

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Nas zonas de guerra, qualquer deslocação era extremamente perigoso, devido às "minas" que o inimigo instalava nas "picadas".
A detonação dos engenhos explosivos era uma tragédia que esfacelava os corpos, deixando-os desfeitos ou cravados de estilhaços. Os sobreviventes ficaram com as marcas físicas e psíquicas para o resto das suas vidas.
Quantas angústias, quantos mortos, quantos estropiados, quantos dias de carências sem o reabastecimento, quantos milhares de quilómetros percorridos na "picagem", por causa do flagelo das "MINAS".
Para que as memórias não esqueçam que houve uma guerra que afectou a vida dos jovens duma geração de gente boa, apresentamos uma amostragem dos estragos materiais resultantes do rebentamento de "minas".
Os Combatentes não esquecem... porque estiveram lá.

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quinta-feira, 31 de julho de 2008

Guerra do Ultramar - Heróis de Nambude

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..........DESTEMIDOS
..
Sem respeito pela nossa velhice
os turras disparam potentes granadas
sem pensarem que foi grande tolice
deixarem-nos as camas espatifadas.
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Aumentaram o terror e o medo
nas trincheiras já cavadas
sem saberem que o segredo
é ter as sentinelas bem alertadas.
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As cenas de maior terror
dos soldados amedrontados
foi quando viram o estupor
que lhes mandou as morteiradas.
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O seu infortúnio foi triste
com tantos corpos caídos...
recompensa da tropa que resiste
à bravura dos destemidos.

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In "Rumos Divergentes"
de Joaquim Coelho
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quarta-feira, 16 de julho de 2008

Guerra Colonial - momentos

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Homenagem aos valentes
que combateram na guerra colonial.
Reavivar as memórias é reafirmar
que há valores bem vivos
pelos quais vale a pena lutar:
uma Pátria onde a liberdade,
a educação e a justiça social
sejam a base da dignidade humana.
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Se há generais capados,
a culpa não é dos soldados...
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Os Combatentes merecem respeito
e reparação das suas maselas...
Os mortos merecem ser honrados
mesmo os que ficaram abandonados.
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sexta-feira, 4 de julho de 2008

RESGATAR os mortos abandonados

 




Para não ESQUECER..


 



...Poemas-Amortalhados.jpg


    VER Vídeo em: 


http://www.youtube.com/watch?v=p6T1H3buk0E


 




*Texto publicado na Revista da


Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra


 


       COMBATENTES MORTOS E ABANDONADOS


  

       Quando os poderes instalados nos diversos patamares da governação do país fingem desconhecer o sofrimento das centenas de milhar de traumatizados pelos efeitos dos dramas vividos na guerra colonial, é tempo dos Combatentes mostrarem a sua indignação e protestarem activamente. Estamos fartos de pantominas nas coisas sérias.

       São cada vez mais evidentes as acções políticas no sentido de amordaçar e desprestigiar os cidadãos portugueses, reduzindo-os a simples máquinas de trabalho ao serviço dos interesses malignos da globalização. Tudo isso põe em causa os valores patrióticos pelos quais os Combatentes deram o melhor da sua juventude ao serviço da Pátria; como vão perdendo o medo de recordarem o negrume de muitos dias de carências de toda a ordem, já se afoitam a atirar algumas pedras contra o charco da ingratidão a que foram votados. Integrados na sociedade pós-descolonização e, apesar dos seus dramas pessoais, trabalhando na qualidade de assalariados, empresários ou emigrantes, fizeram-no com o sentido de contribuir para um Portugal melhor. Agora, é tempo de combater todas as injustiças que os atingem só por causa de terem sido “os melhores homens da Pátria”, em determinado período da história contemporânea.

 

        

 

       Estamos certos de que alguns elementos da sociedade que nos acusaram de todos os males que a descolonização lhes tenha causado são os mesmos “colonos bacocos” que nos hostilizaram enquanto combatentes, ignorando a força dos “ventos da história” que mudou as relações entre os povos. Até já lançaram a atoarda de que a questão do regresso dos mortos divide os combatentes vivos; os que aceitam que os restos mortais dos nossos companheiros continuem em terras “estrangeiras” devem fazer parte do lote dos cobardes, desertores e traidores à pátria ou ignoram que a dignidade duma Nação está na forma como trata os seus mortos em combate.  

       Mas, a razão suprema da nossa indignação é saber que os dirigentes da Liga dos Combatentes, à semelhança dos governantes, continuam a tratar os combatentes mortos e abandonados, em cemitérios provisórios e campas degradadas, como os restos mortais dos seres mais reles e indignos da nação. A missão empreendida, por um grupo de “antigos combatentes” e a União Portuguesa de Pára-quedistas, para trazer de volta à Pátria e aos respectivos familiares os “mortos de Guidage-Guiné” trouxe ao conhecimento público a vergonhosa acção da Liga dos Combatentes. Primeiro, usou de diversos artifícios para abortar a missão, incluindo a chantagem diplomática; depois, aproveitou o dinheiro angariado por esse “grupo de combatentes e amigos” para tratar da trasladação ao seu modo: viagens e mais viagens e muita burocracia. Há dois anos que andamos com este caso e não sabemos quando os restos mortais desses combatentes chegarão à terra das suas famílias.

 

   

Nas matas de Guidage-Guiné

 

       Sabemos que, as centenas de milhares de Euros orçamentadas anualmente para a Liga dos Combatentes, vão sendo gastas em viagens “turísticas” às terras de África. Os Boletins da Liga dão conta de algum “trabalho” em prol dos cemitérios… Mas os testemunhos dos combatentes que tiveram condições para visitar “as terras onde perderam muitos dos sonhos da sua juventude” demonstram o inequívoco abandono e total degradação dos locais onde ficaram “os nossos companheiros mortos”. “A LIGA NÃO ESQUECE!”, mas gasta o dinheiro sem resultados.

 

                            

 

       Esses senhores não estão interessados em dignificar os Combatentes, e muito menos trazer de volta os que “ficaram para trás”. A sua filosofia dava para rir, se não fosse tratar de causas muito sérias. A ideia manifestada por um senhor General, dirigente da Lida dos Combatentes, sobre o “turismo da memória” é mais uma afronta aos que lutaram e morreram ao serviço da Pátria e um escárnio à dor das famílias que os perderam. Os poucos que têm condições económicas para visitar as terras onde combateram não vão lá em “turismo de memórias” mas para acertar algumas contas com um passado que deixou marcas psíquicas profundas. Só que, ao verem o abandono a que foram votados os seus companheiros mortos, sentem um arrepio de revolta contra tal situação.

       Outra ideia desajustada e infeliz é a de que devem ser exumados os restos mortais e transportados para cemitérios centrais; ou seja, ficam sempre em “território estrangeiro”. A ignorância das realidades da guerra colonial – guerra de guerrilha – está na cabeça dos que afirmam que se deve “honrar os mortos enterrando-nos no campo de batalha”. É utópico pensar-se que a África é a Europa e que o espaço onde se desenrolaram as batalhas das “guerras mundiais” se pode comparar à selva, matas e savanas onde aconteceram as escaramuças (emboscadas, flagelações de fogo, rebentamento de minas e outras formas de combate). Essa realidade está nos cemitérios centrais, como Luanda e Maputo (Lourenço Marques), completamente vandalizados e destruídos. Quando sabemos que as lápides das campas dos “nossos combatentes” são vendidas como troféus no “mercado do Roque Santeiro” de Luanda e que as sessões de “magia negra” são realizadas no que resta desses locais sagrados, só podemos manifestar a nossa repulsa pela política e regras que são o mais retrógrado no tratamento do repatriamento dos mortos que ficaram abandonados. É ponto de honra para uma Nação civilizada entregar os mortos em combate às suas famílias; quem negar isso, está a usurpar um sagrado direito de sangue.

 



...Poema-Jazem Além2.jpg



 

Mortos e abandonados...

 

           Companheiros, o desgaste das nossas vidas é um factor com o qual os responsáveis da governação contam para que tudo continue como está – abandonado. Só que não percebem que ainda temos forças para mostrarmos porque “fomos os melhores homens da Pátria”. Não podemos continuar a ser enganados, vejam o que diz a Liga dos Combatentes quanto a objectivos: no que respeita a África, está tudo em lastimável abandono e degradação.

       Numa deslocação a terras africanas, alguns membros do “Movimento Cívico de Antigos Combatentes”, tiveram o cuidado de falar com as autoridades locais, civis e militares, onde estão cemitérios de combatentes abandonados – todos eles estranham que ainda não se tenha feito a trasladação dos restos mortais dos “nossos mortos” para Portugal. É coisa que eles já fizeram com combatentes de outros países. Mostram-se colaborantes no trabalho de exumar esses restos mortais, incluindo a logística para o embarque com destino a Portugal. Por outro lado, essas autoridades estão a ser pressionadas pelas populações para tomarem posse das terras onde estão as campas dos soldados portugueses. Os responsáveis da Liga nem sequer têm em conta as diferenças culturais sobre a veneração dos mortos.

 


 “com membros da Associação de Combatentes Moçambicanos”

 

      


Com Comandante dos Comandos de  Moçambique - 2005

 

       É tempo de unir os combatentes para acabar, de uma vez por todas, com a ineficácia das acções da Liga dos Combatentes, exigindo aos governantes que o dinheiro das dotações orçamentadas seja gasto no tratamento sério do problema dos que “ficaram para trás”. Sem preciosismos inadequados para as pesquisas forenses, poder-se-á resolver a questão de duas maneiras:

1 – Exumar e entregar às respectivas famílias os restos mortais que estão em campas identificadas – há muitas campas com os nomes escritos e existem croquis arquivados.

2 – Depositar em campa comum, junto ao Monumento aos Combatentes-Belém, os que não têm qualquer identificação nem constem nos croquis arquivados.

3 - Entretanto, se alguma família fizer questão dos exames de ADN, serão tratados caso a caso e às suas custas.

       Se continuamos neste engano do “faz de conta”, além de prolongarmos a dor que abala os familiares e os companheiros de jornada, estamos a pactuar com uma vergonhosa acção de esquecimento das nossas memórias. Os actuais dirigentes da Associação dos Veteranos de Guerra já deram provas do seu empenho e seriedade com que tratam este e outros problemas que afectam o bem-estar dos combatentes. Com o empenho de todos, mantemos a esperança de que Portugal será o local de repouso dos que se bateram e morreram nas guerras ultramarinas.

 

 

   

Provas do deplorável abandono...

 


 

    Cemitério descapinado a pedido dos visitantes portugueses - 2005

 


postos de defesa na Guiné

 


10 de Junho 2008 - cemitério fictício montado em Belém


Por:

    Joaquim Coelho, Repórter de guerra, combatente em Angola e Moçambique

                       e membro do Movimento Cívico de Antigos Combatentes 

      



  

       CONTRA OS PODERES

 

Ninguém confessa os seus medos

quando os mortos estão quedos!

 

Ninguém ignora os alicerces da vida

nem o desespero pela causa perdida

nestes caminhos sem esplendor

quando a memória agrava a dor.

 

São os destinos fatalmente interrompidos

que reclamam contra os poderes instituídos

para que sejam preservados os valores

da raça que rejeita os seus louvores!

 

Lanço um alerta aos jovens inocentes:

para que o futuro que vos atrofia

não deixeis apodrecer as sementes

seja mais promissor em cada dia!

 

         Miteda, 26-07-1966

                         

                       Joaquim Coelho

 


..Poemas-Embarcados.jpg




 

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quinta-feira, 19 de junho de 2008

Resgatar os mortos abandonados...

+
É um dever honrar os mortos...
é um compromisso de sangue
resgatar os restos mortais
dos combatentes que ficaram abandonados
em campas espalhadas pelas terras africanas.
Só depois do seu regresso à Pátria
sossegaremos as nossas memórias
e o sofrimento de muitas famílias.
+

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terça-feira, 3 de junho de 2008

Memórias 12 = Os presos de Omar-Moçambique

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A desorganmização de comando
apanhou os combatentes honestos
numa cilada inqualificável...
+

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Memórias 11 = Moçambique, fim da confusão

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A contra-revolução a esfumar-se...
+



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sábado, 24 de maio de 2008

Memórias 10 = Moç, contra-revolução

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Apesar dos atropelos à ordem pública,
evitaram-se os massacres...
*

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Memórias 9 = 25 de Abril em Moçambique

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A descolonização às arrecuas...
nunca foi bem entendida!

+

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sábado, 17 de maio de 2008

Memórias 8 = o 7 de Setembro, Moçambique

+
Quando a autoridade se perde na rua
o imprevisto está presente...
na CONFUSÃO
+

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sexta-feira, 16 de maio de 2008

Memórias 7 = Heróis da Pátria

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Antes do 25 de Abril
já os combatentes davam mostras
do descontentamento
que levaria à revolução...
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domingo, 11 de maio de 2008

Memórias 6 - os heróis da Pátria

 







           PÁTRIA MURIBUNDA


 


A morte marcou encontro na emboscada


e logo a metralha no vale entoa,


vejo uma cabeça caída, desmaiada,


confiando em deus  que é boa pessoa


e logo o cajueiro serve de parapeito


para amparar aquele corpo já desfeito.


.


Sinto o salpicar fresco do sangue


sainda das tuas veias perfuradas;


o nosso corpo meio exangue


defende-se com as armas enlutadas


enquanto outros mais destemidos


apressam o socorro aos feridos.


.


Assim, nesta terra dilacerados,


com a vida presa nos rudes fios


caminham estes bravos soldados


e os seus silenciosos calafrios...


nas savanas caem os mortos


e os feridos cambaleando, tortos!


.


Mães sofridas e enlutadas, chorai


à sombra da sagrada bandeira...


meu povo, homens de génio despertai


antes que a Pátria arda nesta fogueira.


 Joaquim Coelho 


       Nangade, Novembro de 1967


(in livro: "Rumos Divergentes") 


 


                          Click no link para ver Vídeo   




https://www.youtube.com/watch?v=oe7q67fcICY


https://www.youtube.com/watch?v=klhEH0IdXyI

Imagens de Moçambique 1

  • CERRAR OS DENTES
  • Caminhar com aspernas a tremer
  • neste calvário de mochila às costas
  • onde todos os sonhos se desmoronam
  • por entre as veredas percorridas...
  • a vontade não resiste ao impulso
  • do protesto contra as diatribes
  • que nos atiram para as estevas
  • onde os corpos perdem a seiva
  • e o sangue derramado nas matas
  • sapica de vermelho o capim
  • que oculta as balas quentes.
  • O coração a pulsar atordoado
  • e o fato sujo e ensanguentado
  • anunciam o calor que esmorece
  • o desejo de cerrar os dentes
  • para lutar com o corpo cansado
  • e mostrar a força dos valentes
  • que baixam à terra sem a dignidade
  • dos heróis do tempo recusado
  • para descansar até à eternidade!
  • Nangade, Setembro de 1967
  • (poema do livro: "Rumos Divergentes")


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Memórias 6 = construção Cab Bassa

++++
-
Com o objectivo militar
de cortar as infiltrações
da guerrilha para Sul,
o Estado planeou e construíu
uma obra gigantesca...
..


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sexta-feira, 2 de maio de 2008

Lembrar 6 = Realidades do fim

####
Os mísseis Stella usados pela Frelimo
dão novo rumo aos acontecimentos...
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Lembrar 5 = Realidades da guerra

««««
Os guerrilheiros avançam
para sul de Moçambique...



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segunda-feira, 21 de abril de 2008

Lembrar 4 - Realidades do mato...

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  • DEVANEIOS NO ÍNDICO

    Hoje olhei o Índico transparente
    apeteceu-me
    procurar as coordenadas do teu coração
    apontar no mapa, indiferente,
    pareceu-me
    vislumbrar o caminho na tua direcção.

    Já Mocímboa fica no horizonte
    distante
    e a tua formosa imagem se reflecte
    no céu que fica de fronte
    equidistante
    do caminho de Mueda, que se repete.

    Divagando, vou pintando a alma
    multicolor
    para que o tempo me seja breve
    com suaves tons de calma
    amor
    a condizer com o que se escreve.

    Diaca, Outubro de 1966



Lembrar 3 - Realidade dos meios

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sábado, 19 de abril de 2008

Lembrar 2 = Cancioneiro do Niassa

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  • Ó PÁTRIA MINHA

    Minha Pátria, minha paixão,
    sei que horas amargas virão
    longe do tempo presente
    com espaços vagos e ideias ignotas
    acções audazes inevitáveis
    nas límpidas forças do coração
    aqui espalhadas nestas palhotas
    onde os corpos com feridas irreparáveis
    ao criador estendem a mão
    em luta contra o tempo da desonra.

    Ao sabor das virtudes ainda vivas
    vou cavalgando sobre as savanas
    sem piedade pela pátria moribunda
    onde um dia sabujos escribas
    dirão que estas atribulações insanas
    foram causadas pela tropa imunda.

    As caminhadas dos invisíveis corcéis
    de rostos com lágrimas furtivas
    ficarão para sempre gravadas
    nas irresponsáveis decisões dos coronéis
    que urdiram as logísticas esquivas
    e atiraram os soldados às emboscadas.

    Ó pátria minha, do coração,
    por ti, sinto a fúria da poeira
    que me tolhe o corpo cansado,
    tento fazer valer a minha razão
    reclamando o fim da fogueira
    até que o tormento seja extirpado.

    Mueda, Agosto de 1967



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Lembrar 1 = Cancioneiro do Niassa

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Lembrar... as mentiras e a guerra

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Outras e outras imagens
atestam os controversos discursos...
para enganar os pacóvios.

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Lembrar o Natal... na guerra

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Há sempre alguém nas imagens
que o tempo não apagou...
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sábado, 12 de abril de 2008

Guiné = Sinais do 25 de Abril

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Houve muitos sinais...
mas poucos os queriam entender...
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Memórias 4 = O Fim do Império... colonial

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A derrocada está à vista...
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Memórias 3 = O Fim do Império... colonial

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Depois de atiçarem o fogo,
quem sofre são os desprevenidos.

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Memórias 2 = O Fim do Império... colonial

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Quando os responsáveis recuam
ou abandonam o barco,
alguém sofre as consequências...
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Memórias 1 = O Fim do Império... colonial

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Quando se quebram as amarras,
os resultados são imprevistos;
no caso da descolonização,
só os "anjinhos" esperavam
que tudo ficasse como dantes...
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quarta-feira, 26 de março de 2008

Retornados... escorraçados

 




 


Lembrar a força dos portugueses escorraçados...


façanhas medonhas... para reconstruir a vida.


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sábado, 15 de março de 2008

Memórias = O Fim do Império

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Sinto que a lúcida inocência
se assume em favor da paz...
O movimento imparável da razão
traça o rumo às nuvens negras
que se esfumam em cada amanhecer
das esperanças em formação...
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Parte de poema de "Rumos Divergentes"
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Memórias = Sonhos adiados

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Não sei se vou sobreviver
às feridas do desalento
mas espero que a boa sorte
afaste de mim o tormento
de ficar tolhido, a padecer
- antes quero enfrentar a morte!
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domingo, 20 de janeiro de 2008

África do futuro...

 




 ENCRUZILHADAS DOS TEMPOS


Apesar das guerras fratricidas comandadas pelos paises gananciosos que espalham o terror e o medo para melhor se abastecerem das riquezas alheias,  há sinais evidentes na mudança de comportamentos perante as imensas potencialidades africanas.


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Cick nas fotos para aumentar


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Moçambique é um exemplo de desenvolvimento social e cultural das suas gentes. Mau grado os interesses enviezados que ainda proliferam, a vontade das pessoas tem conseguido ultrapassar muitas das calamidades que as atingem. Com problemas tão graves como a seca, as cheias, a Sida, as doenças tropicais, é salutar ver o empenho daquela gente no trabalho das machambas, nas pescas e na criação de animais para consumo da carne.   


 


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-Crianças na escola de Macomia-


com escassos recursos, estudam


e falam a língua portuguesa.


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-Os pescadores trabalham animadamente-


 


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Todos fazem pela vida...


 


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Os mercados florescem por todos os lados...


 


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há uma nova esperança de futuro...


 


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As crianças são cuidadas...


 


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E os sorrisos aparecem...


 


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África dos pesadelos...

 




 Espaços da VIDA 


Para os jóvens da minha geração, a África foi um pesadelo, porque foi lá que ficaram muitos dos nossos sonhos mais lindos...   


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HORIZONTES AFRICANOS


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A felicidade pode vir dum sinal dos deuses. Mas também pode estar num gesto de partilha, num abraço desprendido.
Olhei o horizonte e vi que vou ter um dia feliz... vi o capim como se fosse uma seara! De todas as pessoas que encontrei não vi um sinal de inveja, de loucura. Eu acordei há poucos minutos num mundo de paz, onde as máquinas servem para criar bens que nos ajudam a ser felizes... não vi carros de combate, nem metralhadoras. As brechas abertas na terra são os túneis e as estradas que facilitam a passagem para confraternizar com os nossos amigos, com os outros povos. Também não vi sulcos nem terra esventrada pela força das minas e dos fornilhos. Não vi lá corpos esfacelados, esfrangalhados ou esburacados, tampouco vi viaturas em fanicos, queimadas.
Definitivamente, acordei dum sonho profundo, lindo. Só não consigo reconhecer o caminho que está diante dos meus olhos. É um caminho com demasiadas curvas sinuosas, e eu não sei onde vou buscar forças para ultrapassar as privações de todos os dias.
Começo a viver o sofrimento dos dias trágicos da guerra. Eu acordei longe, muito longe... em África!


Joaquim Coelho


In “Espaço Etéreo” – vivências na guerra colonial ~



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DETONAÇÃO

Tanta dor e sofrimento a desabar
por cima dos corpos que respiram
o sentimento da negação em grito
que ecoa na picada de Miteda…

a devastação deixa-me mais aflito
quando o estrondo da detonação
atira um longo eco pela floresta…
invoco aos deuses da selva densa
que nos libertem da assanhada besta
e nos alivie deste inferno…
que o sol e alguma esperança
sare as feridas que nos doem
e enterre os mortos na santa campa
bem longe da guerra…

Até embarcarem para a sua terra
- entregues à liberdade das aves,
terão que subir a última rampa
enquanto curamos os feridos graves.


Joaquim Coelho 


in: "Rumos Divergentes", Poemas