quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Festas Felizes

   


 



VER: https://www.facebook.com/joaquim.coelho1


 


Aos amigos que visitam este espaço


Ou que respiraram os ares africanos,


Deixo votos de felicidade nas Festas


E mais o meu fervoroso abraço


Para que nos livrem dos desenganos


E nos deixem o caminho sem arestas.


 


Joaquim Coelho


 

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Memórias de Luanda


 VER mais:  https://jotasousa39.wixsite.com/coelho

 


VENDILHÕES


Em todos os dias deste tempo nublado que o futuro me apresenta, procuro descobrir o que nos faz viver de olhos fechados para as coisas do mundo. Não há segredos que nos possam atormentar, quando afrontamos os perigos das matas que penetramos com os corpos desgastados pela voragem das contínuas missões no Norte de Angola. Já não há flechas nas azagaias dos bandidos – só arma fina – e a rotina faz-nos acreditar que a guerra vai durar até ao aniquilamento dos sonhos de todos os jovens que desembarcam em terras africanas e ficam de olhos arregalados perante a vastidão que os confunde nas emoções da descoberta.

   O meu corpo caminha aos solavancos, sem querer perceber as transformações que mexem com as memórias. Cada vez mais atento aos caminhos a percorrer, não perco o sentido no futuro nem deixo de questionar as razões da cobiça que outros países nutrem por estas ricas terras de Angola. Depois de muitas matas vasculhadas e muitos caminhos percorridos em busca dos bandidos enraivecidos, começo a entender as complexas relações entre os administradores das empresas estrangeiras aqui instaladas e os servidores dos poderes da Nação. É tudo uma questão de dinheiro! Andam por aí bem nutridos, misturados com os funcionários que nos contam estranhas histórias da costumeira da cidade, trocando benesses por contratos de concessões cujas cláusulas são uma grande fraude à economia nacional.

Quando ouço os impulsos dessa escumalha que enriquece à custa da desgraça da nação, nem quero acreditar que eles possam ser portugueses de raça lusitana! Talvez um dia venhamos a saber até onde vão os negócios desses vendilhões sem escrúpulos.    


Luanda, Março de 1962

Joaquim Coelho


in "O Despertar dos Combatentes"  pedidos para: jotasousa39@gmail.com


Luanda angola4.jpg

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Guiné-Pára-quedistas em acção

AMORTALHADOS

Somos valentes caminhantes do sertão
que a África nos destinou a prazo…
envolvidos no prelúdio da escuridão
caminhamos nos sulcos já pisados
temendo a afronta das minas furtivas
como os combatentes desventurados.

Enquanto somos vivos desenganados
bebemos dos charcos apodrecidos
que servem de oásis nas savanas
nos dias sem chuva… adormecidos
com as vidas levemente estagnadas
aprontamos as vestes do caixão
descarregado da carlinga do avião.


Joaquim Coelho




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sábado, 18 de setembro de 2010

Saltos na Serra da Canda - acidente

Pára-quedistas saltam na Serra da Canda - Angola - Acidente


Nunca foi bem esclarecido à família e amigos! Porque não foi recuperado o corpo do 1º Cabo Pára-quedista Claudino Almeida Cunha, morto na Serra da Canda. Deixamos aqui alguns esclarecimentos.



 

Bom dia, Caro Carlos Silva,

Relativamente ao assunto constante na sua mensagem infra e face a dados pesquisados e, também, cedidos por veteranos da Guerra do Ultramar, informa-se o seguinte:

O malogrado militar Claudino Almeida Cunha, 1.º Cabo Pára-Quedista, pertenceu à 2.ª Companhia de Caçadores Pára-Quedistas (2.ªCCP) do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 21 (BCP21), faleceu no dia 25 de Agosto de 1961, durante a Operação "Canda", em Angola.

Há referências do militar no livro "O Despertar dos Combatentes", da autoria de Joaquim Coelho, também Pára-Quedista, esteve em Angola (BCP21) e em Moçambique (BCP31), respectivamente, nos períodos de 1961 a 1963  e de 1966 a 1968. Em Angola, no período de 1961 a 1963, o escritor Joaquim Coelho, pertenceu ao mesmo Batalhão - BCP21 - do malogrado militar 1.º Cabo Pára-Quedista Claudino Almeida Cunha.

Transcrição de excertos do livro "O Despertar dos Combatentes" onde refere o Cabo Cunha:


Página 75:

" [...] O capitão Almendra, temendo a sorte do Pimentel, já se inquietava, porque minutos antes, ao sair de outro avião menos adequado para lançamento de pára-quedistas, o cabo Cunha havia sucumbido à queda-livre, sem que o pára-quedas se abrisse. Ao que parece, devido ao corte da tira extractora na longarina da porta do avião! [...]


Página 77:


"[...] Na hora do regresso faziam-se contas à vida ... A operação foi perfeita, com resultados bem mais consistentes do que o previsto. O capitão Almendra bem podia orgulhar-se do pessoal. Não fora a morte do cabo Almeida Cunha e tudo seriam alegrias. Mas a vida dos pára-quedistas está sempre presa por um fio ... que pode falhar entre o céu e a terra! [...] 


Esta mensagem vai com conhecimento do escritor Joaquim Coelho.


Se entretanto, chegar à nossa caixa de correio, mais informações sobre a questão em apreço, procederemos ao seu reenvio para o seu e-mail.


Saudações


A equipa do UTW


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From: "CARLOS MANUEL DOS SANTOS SILVA" <carlossilva42@live.com.pt>
Sent: Monday, June 28, 2010 9:53 PM
To: <ultramar@live.com.pt>
Subject: Procura de ex- Militares que estiveram nas ex- Províncias Ultramarinas     (CARLOS MANUEL DOS SANTOS SILVA)


Nome do responsável pelo anúncio (*): CARLOS MANUEL DOS SANTOS SILVA


O seu endereço de e-mail (*): carlossilva42@live.com.pt


O seu contacto telefónico (*): 214183566-969883216


 

Indique a localidade de residência (*): OUTURELA


Indique o (s) contacto (s) que deve (m) figurar no anúncio para ser contactado (*): carlossilva42@live.com.pt


Texto do Anúncio (*): BTPQ--1959-1961- DESAPARECIDO ATÉ AO MOMENTO, CONSTA QUE MORREU EM COMBATE EM 25 / 08 / 1961 EM ANGOLA -1.º CABO PÁRA-QUEDISTA CLAUDINO ALMEIDA CUNHA, TIO DA MINHA MULHER, FAMÍLIA ATÉ HOJE DESGOSTOSA, SOFRIDA, REVOLTADA, POR NÃO SABER DELE, NATURAL DE SATÃO, VISEU, SEM FUNERAL NEM INFORMAÇÕES DO SEU PARADEIRO.
EU CARLOS M S SILVA, FUI MILITAR NO RLL- RL- 2 EM -1ºT-80. JÁ PEDI INFORMAÇÕES AO EMFA
SEM RESPOSTA.
PEÇO E AGRADEÇO INFORMAÇÕES SOBRE O PARADEIRO, PARA DESCANSO DA FAMÍLIA PRINCIPALMENTE DOS IRMÃOS.
UM MUITO OBRIGADO.
OBS- ESTEVE NO BTP 21 ANGOLA


 A VERDADE:  

Aconteceu que a densidade da mata onde caiu o Cabo Pára-quedista Claudino Almeida Cunha era de tal maneira impenetrável que não permitiu que o corpo fosse encontrado, sendo infrutíferas as diversas buscas feitas nos dias seguintes à queda. Tratava-se de um local com terreno muito acidentado e muita floresta. O seu pára-quedas não abriu devido à ruptura da tira extractora. Depois se concluir pela impossibilidade da recuperação dos seus restos mortais, procedeu-se a uma singela homenagem com as devidas honras militares pelo seu falecimento.


Joaquim de Sousa Coelho – Pára-quedista em Angola de 1961 a 1963


 Mais tarde, o corpo do malogrado 1º cabo pára-quedistaClaudino Cunha foi recuperado e sepultado no Cemitério Novo de Luanda (Santana).i 


 Foto do Pimentel, também em perigo sobre a serra da Canda.



domingo, 20 de junho de 2010

A Guerra e a Descolonização

 




 


Os militares Portugueses cumpriram a sua missão, muitas vezes para além do que a Pátria lhes pedia.


 



Por causa da guerra, os combatentes viram muitos dos seus sonhos adiados ou perdidos. 



   AS CAUSAS DA GUERRA E OS TRAUMAS


 Depois da guerra em Angola, onde fundamentei a minha razão de basculhar tudo até encontrar a verdade, passados os anos do desespero e os efeitos da matança de 1961, comecei a perceber a dimensão do confronto de interesses dos países potencialmente desenvolvidos à custa da desgraça que caiu sobre os povos residentes nos países com grandes quantidades de matéria-prima e reservas minerais de grande consumo nos países industriais mais avançados.


Por causa das riquezas alheias, desencadeiam-se guerras que dilaceram os países em construção. Angola e Moçambique poderiam ter-se desenvolvido harmoniosamente e em paz se não estivessem por detrás os interesses dos gananciosos pelas ricas reservas naturais emergentes nesses países. E, só depois de tudo desintegrado pelas máquinas de guerra, tomámos consciência do que se perdeu, incluindo os laços de amizade e os meios onde nascemos e vivemos em harmonia com a natureza. Não fossem esses interesses antagónicos dos países mais desenvolvidos, o entendimento com os representantes dos povos com os quais estivemos em guerra poderia ter seguido o caminho dos interesses mútuos e ter-se-ia evitado tanta desgraça, ódios e prejuízos. Como já referi neste espaço, tenho familiares que foram escorraçados e gravemente afectados no seu património e na sua dignidade. Mas, culpar os combatentes por tal desastre na descolonização é não querer perceber a dimensão das forças que nos combatiam no exterior das terras africanas e que impediam qualquer entendimento com os povos locais. A voracidade das forças em presença foi a causa da guerra civil desencadeada após a descolonização.  


Os danos da guerra são dolorosos e deixam feridas difíceis de curar. Além da destruição dos bens, perdem-se amizades e as relações entre seres humanos não valorizam a vida e a sua essência. É contra todas essas perdas que procuro reagir dando valor à riqueza que nos resta - fortes laços de amizade e camaradagem porque, entre os intervenientes nas guerras, esses valores foram a trave mestra a segurar a frágil condição humana de muitos combatentes, nos primeiros tempos de missão. Alguns perderam a bússola das suas vidas, numa agitação anormal da consciência e das emoções; não fora a mística do companheirismo e a desgraça dos traumatizados teria atingido uma dimensão muito mais grave e penosa para a sociedade portuguesa.      


          Joaquim Coelho


 VER:  https://guerracolonial61.wixsite.com/coelho



Material de guerra apreendido ao inimigo. Armas que nos poderiam matar!


 


Os "retornados" perderam muitos dos seus bens, as ligações à terra onde nasceram ou viveram felizes, mas sobreviveram há chacina, porque a tropa portuguesa nunca os abandonou.


leopoldville-postcard-1960.jpg 


É preciso lembrar que, no antigo Congo Belga, em 1960/61, foram chacinados mais de três mil colonos brancos, que recusaram abandonar as suas lojas e haveres, mesmo depois dos militares belgas embarcarem nos últimos aviões existentes no aeroporto de Leopoldville, com com a independência.


Mais de dez mil combatentes perderam a vida na guerra.


 





 


 

terça-feira, 23 de março de 2010

Música Fascinante



Aos amantes da música africana, vejam este link:


 


https://videos.sapo.pt/t6D6S3mfbFzhMvFAfC8n


 


Bem-vindos a este espaço.


 



 


 


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segunda-feira, 22 de março de 2010

Dia da POESIA


Sendo ontem o Dia da POESIA, aqui deixo dois poemas dos tempos que andei por África:


 


    A MÍSTICA DO BATUQUE


 


Em noites de refulgente luar


os corpos todos se agitam


ao som do tam-tam-tam


onde mais emoções palpitam.


 


- Por quinze tostões e um doce


podes ter o meu corpo quente


não pagas imposto, e se fosse


uma noite bem diferente?


 


Assim falou a mulatinha


de voz piamenta e terna,


ao roçar na minha perna!


 


É a miséria madura e crua


da menina que se oferece nua


na esteira em noite escura


ao som das marimbas pretas


dos batuques desta rua


onde gemem as silhuetas


que rasgam negros desejos.


 


A vida nos bairros fantasmas


onde resvalam os beijos


e os lamentos de solidão...


são arestas, são escamas


a torturarem a tesão!


 


             Luanda, Janeiro de 1962


 


  Joaquim Coelho




 



 


   AEROGRAMA PERDIDO


 


Quando eu regressar da jornada


que a Pátria me determinou


porei fim a esta angústia


de saber aferir a razão


porque falharam os aerogramas


que me davam a ilusão


de acreditar no amor adiado


como forma de salvação


do coração destroçado.


 


As vicissitudes são tantas


neste espaço dos medos


que já não sei saborear o amor


nem do teu corpo os segredos


e o coração amarrado


à penúria dum papel


é como um corpo amolgado


antes de saborear o mel.


 


Não me deixes na solidão


destes caminhos minados


onde se rompem os corpos


feridos e ensanguentados


na tragédia das picadas


perdidas na paisagem


com molduras de espingardas.


 


Deixa-me olhar a imagem


que um dia te roubei


na planície da juventude


onde desagua toda a verdade


dum amor que nos uniu


na lonjura da distância


que esta guerra pariu.


 


Não estilhaces o meu corpo


com a arma do silêncio…


a fuga não é razão


para me desamparares


no meio deste sertão…


se os seres nascem aos pares


o meu é par do teu


como o teu é par do meu.


 


Antes do fim há um sinal


que revela as emoções


de quem anda à deriva…


ainda espero a carta


que me traga a salvação


e o consolo do refúgio


que está no teu coração.


 


        Nacala, Novembro de 1966


 


  Joaquim Coelho




 


 

quinta-feira, 4 de março de 2010

Pemba - Moçambique, FESTIVAL TAMBO



Para os que amam ou gostam da cultura africana, especialmente para os Moçambicanos, temos o Festival Tambo Interrnacional:


 



 
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Tambo Tambulani Tambo

E-mail Tambo Tambulani Tambo
tambotambulanitambo@yahoo.com
Vitor Raposo + 258 82 66 13 400

Novidades - Tambo no www



 


Ver link: http://tambo.nl


 


Vídeo de 2009:  <object width="480" height="295"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/X_X2kgHptrU&hl=pt_BR&fs=1&"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/X_X2kgHptrU&hl=pt_BR&fs=1&" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="295"></embed></object>



 


   Parabéns aos participantes.


 




 

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Memórias de Angola

 



A CAÇADA ATRIBULADA

 

O Zé Trigueiro é mestre na caça grossa; manhã cedo, com os primeiros raios de sol, avança de mira apontada na pakassa e não se deu conta do emaranhado de lianas que servem de armadilha para reter a viatura… mesmo assim não perde de vista a sua caça. Acontece que uma manada de pakassas se enfureceu e tentou encornar as viaturas que ficaram à mercê dos seus ataques raivosos. De cima das árvores que nos protegiam da fúria dos corpulentos animais, conseguimos abater duas boas pakassas que ajudaram a aliviar a dor do que estava para acontecer.

Mas nem tudo está de feição nestas matas da estrada do Úcua; enquanto toma a merecida refeição do almoço, o filho que é traquina, andava a deambular junto das máquinas dos serviços de estradas, e deu-lhe para ir dormir dentro da pá da escavadora, sem ninguém desse por isso! A presunção da tragédia está ali a 20 metros, nas águas que correm avassaladoras no rio Úcua. Mal o Zé Trigueiro deu pela falta do filho, logo imaginou que tivesse sido levado pela corrente; todos se apressam a procurar nas margens perigosas do rio, sempre até longe. Coração de pai faz chorar no desespero da incerteza da perda do filho. Passam os minutos e mais de duas horas de buscas infrutíferas, o homem senta-se, pesaroso, mãos na cabeça, inconformado com tal infortúnio.

 Os companheiros de caça presentes tentam mais uma vez encontrar o corpo preso nas ramagens que orlam as margens. Momentos de espanto e de contida alegria; o rapaz levanta-se da sua soneca lá no cimo da pá mecânica e abre os braços num amplo gesto de espreguiçar! O pai, descontrolado, ralha com o filho, mal este desce da máquina, leva logo uma bofetada que o atira para o chão. Mal refeito do susto, o homem abraça o filho e tudo volta à calma messiânica.

Ainda houve tempo para caçar algumas peças destinadas ao mercado da Maria da Fonte, onde o Zé tinha o seu posto de venda de carne fresca.

 

Luanda, Maio de 1962

 Joaquim Coelho


Acácia em Luanda (2).jpg


A-a caminho de Carmona..jpg


....Luanda, Av Combatentes1968.jpg




 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Guerra em Angola



GUERRA em Angola


  Para repor a verdade sobre algumas opiniões, aqui deixo parte de um rascunho sobre a Guerra de Angola - 1962 e a intervenção dos Caçadores Especiais e da Vanguarda de Voluntários:  


 


                  


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PEDRA VERDE - Reconquistas


 


A primeira incursão para tomada da “Pedra Verde” foi protagonizada por tropas do Exército, tendo como pontas de lança os Caçadores Especiais. Por ser um morro de difícil acesso, bombardeado severamente e reocupado pelo Exército. Quando os estrategas militares entenderam que deixou de ter interesse como ponto de quadrícula, logo os bandoleiros da UPA voltaram a tomar conta do local. Pois, as diversas minas e grutas servem para se protegeram das bombas da Força Aérea, e dali atacam as tropas portugueses que se deslocam nas picadas próximas. Passar pela estrada Piri é um perigo constante para os camionistas e para a tropa.
Em 1962, tropas do Exército, em colaboração com os pára-quedistas e aviões PV2, voltaram a desalojar os bandidos.
Por ser um ponto que domina as estradas do Úcua para o Piri, Pango Aluquem, Bula e Quibaxe, as tropas portuguesas tentam manter o controlo do morro.
Após a última operação de ataque à Pedra Verde, quando toda a tropa seguia para os respectivos acampamentos, foi-nos determinado fazer o percurso a corta-mato, seguindo pelo lado do Dange até Quibaxe. Para os estrategas, que vêm o terreno de avião, a coisa parece simples de marcar os itinerários! Tivemos de procurar os trilhos menos “usados”, porque as surpresas não agradam e nos três dias anteriores os corpos sofreram um desgaste notável. A progressão no terreno não foi fácil, mas em compensação, encontrámos diversos esconderijos que destruímos. E aproveitámos uma fazenda abandonada para a pernoita atribulada.
Muito perto do vale do Dange, antes de seguirmos para Quibaxe, descobrimos grande quantidade de árvores com papaias/mamões, e boa água. Enquanto uns aproveitaram para encherem os cantis e repousar, outros trataram do “reabastecimento”, colhendo mamões (papaias). Aquilo é que foi aproveitar as benesses da mãe natureza!
Ninguém contou com a surpresa maior – os bandoleiros ficaram zangados por não terem sido convidados e zás: lançam um ataque com armas finas (automáticas), apanhando dois ou três desprevenidos a colher os frutos. Entre eles, estava o Parreira a colher papaias que lançava para os companheiros que os juntavam para a equipa. Um tiro certeiro abanou-lhe o capacete!... quando o projéctil entrou por detrás da aba, circulou entre o couro cabeludo e o ferro do capacete e, ao sair pela frente, causou um ferimento ligeiro por cima do sobrolho. O sangue escorria pela face e orelha esquerda, quando o Parreira se deu conta do ocorrido e, perante os olhares dos dois soldados que esperavam receber mais frutos daquela colheita, o Parreira esmoreceu... Ficou mais combalido com a queda abaixo do mamoeiro do que com o tiro! Meio atordoado, levantou-se e desmaiou de seguida, por se ter dado conta do sangue a escorrer-lhe sobre os olhos.
Mas aquele ligeiro esmorecimento logo foi compensado com um abraço do comandante da sua secção, que o animou ao colocar um penso em cima da zona ferida, estancando-a. Foi limpando os sinais do sangue derramado, enquanto o pessoal presente preparava os equipamentos para a deslocação até ao aquartelamento de Quibaxe. Não tardou a aparecer a DO27 para transportar o Parreira ao hospital de Luanda. Logo alguém disse: «Querias mamões (papaias)... mas também levas chumbo!
Bem dizem os “Voluntários” que:
«A caminho de QUITEXE - Quem tem sorte foge à morte.»
Naquela região, a simples função de encher água nos cantis obriga a manter vigilância apertada, porque os bandoleiros aparecem de qualquer lado. Eles são tantos que um simples descuido pode ser fatal.
Tal como nos primeiros meses da guerra, esta região dos Dembos tem sido complicada para muitas das colunas que fazem o percurso da estrada do Úcua para Quibaxe e mais para Norte: Negage, Carmona, Quitexe e outras localidades do café.
Os Voluntários da “Vanguarda Salazar” já têm uma dramática experiência das horas de repouso, e das surpresas que assustam nas imediações da estrada do Piri. Na estrada de Quitexe, foram surpreendidos por um grupo de mais de duzentos bandoleiros que, em menos de dez minutos, ceifaram a vida a sete voluntários. Embora a reacção pronta dizimasse parte dos atacantes, a marca da morte ficou bem vincada nos olhos dos voluntários. 


 


Joaquim Coelho


in "O Despertar dos Combatentes" 


- pedidos a:  jotasousa39@gmail.com


- Vale do rio Mbridge - esconderijos inimigos....j