Aos amantes da música africana, vejam este link:
https://videos.sapo.pt/t6D6S3mfbFzhMvFAfC8n
Bem-vindos a este espaço.
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Sendo ontem o Dia da POESIA, aqui deixo dois poemas dos tempos que andei por África:
A MÍSTICA DO BATUQUE
Em noites de refulgente luar
os corpos todos se agitam
ao som do tam-tam-tam
onde mais emoções palpitam.
- Por quinze tostões e um doce
podes ter o meu corpo quente
não pagas imposto, e se fosse
uma noite bem diferente?
Assim falou a mulatinha
de voz piamenta e terna,
ao roçar na minha perna!
É a miséria madura e crua
da menina que se oferece nua
na esteira em noite escura
ao som das marimbas pretas
dos batuques desta rua
onde gemem as silhuetas
que rasgam negros desejos.
A vida nos bairros fantasmas
onde resvalam os beijos
e os lamentos de solidão...
são arestas, são escamas
a torturarem a tesão!
Luanda, Janeiro de 1962
Joaquim Coelho
AEROGRAMA PERDIDO
Quando eu regressar da jornada
que a Pátria me determinou
porei fim a esta angústia
de saber aferir a razão
porque falharam os aerogramas
que me davam a ilusão
de acreditar no amor adiado
como forma de salvação
do coração destroçado.
As vicissitudes são tantas
neste espaço dos medos
que já não sei saborear o amor
nem do teu corpo os segredos
e o coração amarrado
à penúria dum papel
é como um corpo amolgado
antes de saborear o mel.
Não me deixes na solidão
destes caminhos minados
onde se rompem os corpos
feridos e ensanguentados
na tragédia das picadas
perdidas na paisagem
com molduras de espingardas.
Deixa-me olhar a imagem
que um dia te roubei
na planície da juventude
onde desagua toda a verdade
dum amor que nos uniu
na lonjura da distância
que esta guerra pariu.
Não estilhaces o meu corpo
com a arma do silêncio…
a fuga não é razão
para me desamparares
no meio deste sertão…
se os seres nascem aos pares
o meu é par do teu
como o teu é par do meu.
Antes do fim há um sinal
que revela as emoções
de quem anda à deriva…
ainda espero a carta
que me traga a salvação
e o consolo do refúgio
que está no teu coração.
Nacala, Novembro de 1966
Joaquim Coelho
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Joaquim Coelho



GUERRA em Angola
Para repor a verdade sobre algumas opiniões, aqui deixo parte de um rascunho sobre a Guerra de Angola - 1962 e a intervenção dos Caçadores Especiais e da Vanguarda de Voluntários:
VER mais: https://jotasousa39.wixsite.com/coelho
PEDRA VERDE - Reconquistas
A primeira incursão para tomada da “Pedra Verde” foi protagonizada por tropas do Exército, tendo como pontas de lança os Caçadores Especiais. Por ser um morro de difícil acesso, bombardeado severamente e reocupado pelo Exército. Quando os estrategas militares entenderam que deixou de ter interesse como ponto de quadrícula, logo os bandoleiros da UPA voltaram a tomar conta do local. Pois, as diversas minas e grutas servem para se protegeram das bombas da Força Aérea, e dali atacam as tropas portugueses que se deslocam nas picadas próximas. Passar pela estrada Piri é um perigo constante para os camionistas e para a tropa.
Em 1962, tropas do Exército, em colaboração com os pára-quedistas e aviões PV2, voltaram a desalojar os bandidos.
Por ser um ponto que domina as estradas do Úcua para o Piri, Pango Aluquem, Bula e Quibaxe, as tropas portuguesas tentam manter o controlo do morro.
Após a última operação de ataque à Pedra Verde, quando toda a tropa seguia para os respectivos acampamentos, foi-nos determinado fazer o percurso a corta-mato, seguindo pelo lado do Dange até Quibaxe. Para os estrategas, que vêm o terreno de avião, a coisa parece simples de marcar os itinerários! Tivemos de procurar os trilhos menos “usados”, porque as surpresas não agradam e nos três dias anteriores os corpos sofreram um desgaste notável. A progressão no terreno não foi fácil, mas em compensação, encontrámos diversos esconderijos que destruímos. E aproveitámos uma fazenda abandonada para a pernoita atribulada.
Muito perto do vale do Dange, antes de seguirmos para Quibaxe, descobrimos grande quantidade de árvores com papaias/mamões, e boa água. Enquanto uns aproveitaram para encherem os cantis e repousar, outros trataram do “reabastecimento”, colhendo mamões (papaias). Aquilo é que foi aproveitar as benesses da mãe natureza!
Ninguém contou com a surpresa maior – os bandoleiros ficaram zangados por não terem sido convidados e zás: lançam um ataque com armas finas (automáticas), apanhando dois ou três desprevenidos a colher os frutos. Entre eles, estava o Parreira a colher papaias que lançava para os companheiros que os juntavam para a equipa. Um tiro certeiro abanou-lhe o capacete!... quando o projéctil entrou por detrás da aba, circulou entre o couro cabeludo e o ferro do capacete e, ao sair pela frente, causou um ferimento ligeiro por cima do sobrolho. O sangue escorria pela face e orelha esquerda, quando o Parreira se deu conta do ocorrido e, perante os olhares dos dois soldados que esperavam receber mais frutos daquela colheita, o Parreira esmoreceu... Ficou mais combalido com a queda abaixo do mamoeiro do que com o tiro! Meio atordoado, levantou-se e desmaiou de seguida, por se ter dado conta do sangue a escorrer-lhe sobre os olhos.
Mas aquele ligeiro esmorecimento logo foi compensado com um abraço do comandante da sua secção, que o animou ao colocar um penso em cima da zona ferida, estancando-a. Foi limpando os sinais do sangue derramado, enquanto o pessoal presente preparava os equipamentos para a deslocação até ao aquartelamento de Quibaxe. Não tardou a aparecer a DO27 para transportar o Parreira ao hospital de Luanda. Logo alguém disse: «Querias mamões (papaias)... mas também levas chumbo!
Bem dizem os “Voluntários” que:
«A caminho de QUITEXE - Quem tem sorte foge à morte.»
Naquela região, a simples função de encher água nos cantis obriga a manter vigilância apertada, porque os bandoleiros aparecem de qualquer lado. Eles são tantos que um simples descuido pode ser fatal.
Tal como nos primeiros meses da guerra, esta região dos Dembos tem sido complicada para muitas das colunas que fazem o percurso da estrada do Úcua para Quibaxe e mais para Norte: Negage, Carmona, Quitexe e outras localidades do café.
Os Voluntários da “Vanguarda Salazar” já têm uma dramática experiência das horas de repouso, e das surpresas que assustam nas imediações da estrada do Piri. Na estrada de Quitexe, foram surpreendidos por um grupo de mais de duzentos bandoleiros que, em menos de dez minutos, ceifaram a vida a sete voluntários. Embora a reacção pronta dizimasse parte dos atacantes, a marca da morte ficou bem vincada nos olhos dos voluntários.
Joaquim Coelho
in "O Despertar dos Combatentes"
- pedidos a: jotasousa39@gmail.com

A todos os visitantes deste espaço, deixo os votos de FESTAS FELIZES.
VER: https://www.youtube.com/watch?v=-xLxKqMD2vA


Fortim de má memória... com final para a estória!
Casualmente, encontrei fotos do Fortim S.José, na ilha do Ibo, Moçambique, e não pude suster a emoção devido aos seguintes factos:
VER mais: https://jotasousa39.wixsite.com/coelho
Joaquim Coelho


