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terça-feira, 23 de março de 2010

Música Fascinante



Aos amantes da música africana, vejam este link:


 


https://videos.sapo.pt/t6D6S3mfbFzhMvFAfC8n


 


Bem-vindos a este espaço.


 



 


 


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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Guerra em Angola



GUERRA em Angola


  Para repor a verdade sobre algumas opiniões, aqui deixo parte de um rascunho sobre a Guerra de Angola - 1962 e a intervenção dos Caçadores Especiais e da Vanguarda de Voluntários:  


 


                  


 VER mais:  https://jotasousa39.wixsite.com/coelho


PEDRA VERDE - Reconquistas


 


A primeira incursão para tomada da “Pedra Verde” foi protagonizada por tropas do Exército, tendo como pontas de lança os Caçadores Especiais. Por ser um morro de difícil acesso, bombardeado severamente e reocupado pelo Exército. Quando os estrategas militares entenderam que deixou de ter interesse como ponto de quadrícula, logo os bandoleiros da UPA voltaram a tomar conta do local. Pois, as diversas minas e grutas servem para se protegeram das bombas da Força Aérea, e dali atacam as tropas portugueses que se deslocam nas picadas próximas. Passar pela estrada Piri é um perigo constante para os camionistas e para a tropa.
Em 1962, tropas do Exército, em colaboração com os pára-quedistas e aviões PV2, voltaram a desalojar os bandidos.
Por ser um ponto que domina as estradas do Úcua para o Piri, Pango Aluquem, Bula e Quibaxe, as tropas portuguesas tentam manter o controlo do morro.
Após a última operação de ataque à Pedra Verde, quando toda a tropa seguia para os respectivos acampamentos, foi-nos determinado fazer o percurso a corta-mato, seguindo pelo lado do Dange até Quibaxe. Para os estrategas, que vêm o terreno de avião, a coisa parece simples de marcar os itinerários! Tivemos de procurar os trilhos menos “usados”, porque as surpresas não agradam e nos três dias anteriores os corpos sofreram um desgaste notável. A progressão no terreno não foi fácil, mas em compensação, encontrámos diversos esconderijos que destruímos. E aproveitámos uma fazenda abandonada para a pernoita atribulada.
Muito perto do vale do Dange, antes de seguirmos para Quibaxe, descobrimos grande quantidade de árvores com papaias/mamões, e boa água. Enquanto uns aproveitaram para encherem os cantis e repousar, outros trataram do “reabastecimento”, colhendo mamões (papaias). Aquilo é que foi aproveitar as benesses da mãe natureza!
Ninguém contou com a surpresa maior – os bandoleiros ficaram zangados por não terem sido convidados e zás: lançam um ataque com armas finas (automáticas), apanhando dois ou três desprevenidos a colher os frutos. Entre eles, estava o Parreira a colher papaias que lançava para os companheiros que os juntavam para a equipa. Um tiro certeiro abanou-lhe o capacete!... quando o projéctil entrou por detrás da aba, circulou entre o couro cabeludo e o ferro do capacete e, ao sair pela frente, causou um ferimento ligeiro por cima do sobrolho. O sangue escorria pela face e orelha esquerda, quando o Parreira se deu conta do ocorrido e, perante os olhares dos dois soldados que esperavam receber mais frutos daquela colheita, o Parreira esmoreceu... Ficou mais combalido com a queda abaixo do mamoeiro do que com o tiro! Meio atordoado, levantou-se e desmaiou de seguida, por se ter dado conta do sangue a escorrer-lhe sobre os olhos.
Mas aquele ligeiro esmorecimento logo foi compensado com um abraço do comandante da sua secção, que o animou ao colocar um penso em cima da zona ferida, estancando-a. Foi limpando os sinais do sangue derramado, enquanto o pessoal presente preparava os equipamentos para a deslocação até ao aquartelamento de Quibaxe. Não tardou a aparecer a DO27 para transportar o Parreira ao hospital de Luanda. Logo alguém disse: «Querias mamões (papaias)... mas também levas chumbo!
Bem dizem os “Voluntários” que:
«A caminho de QUITEXE - Quem tem sorte foge à morte.»
Naquela região, a simples função de encher água nos cantis obriga a manter vigilância apertada, porque os bandoleiros aparecem de qualquer lado. Eles são tantos que um simples descuido pode ser fatal.
Tal como nos primeiros meses da guerra, esta região dos Dembos tem sido complicada para muitas das colunas que fazem o percurso da estrada do Úcua para Quibaxe e mais para Norte: Negage, Carmona, Quitexe e outras localidades do café.
Os Voluntários da “Vanguarda Salazar” já têm uma dramática experiência das horas de repouso, e das surpresas que assustam nas imediações da estrada do Piri. Na estrada de Quitexe, foram surpreendidos por um grupo de mais de duzentos bandoleiros que, em menos de dez minutos, ceifaram a vida a sete voluntários. Embora a reacção pronta dizimasse parte dos atacantes, a marca da morte ficou bem vincada nos olhos dos voluntários. 


 


Joaquim Coelho


in "O Despertar dos Combatentes" 


- pedidos a:  jotasousa39@gmail.com


- Vale do rio Mbridge - esconderijos inimigos....j


 


 

sábado, 17 de outubro de 2009

Ilha do Ibo - Fortim e Prisão


 Fortim de má memória... com final para a estória! 


Casualmente, encontrei fotos do Fortim S.José, na ilha do Ibo, Moçambique, e não pude suster a emoção devido aos seguintes factos:


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FORTIM DA ILHA DO IBO – PRISÃO POLÍTICA

 

Ao ver a imagem deste fortim não pude conter a emoção que me tocou fundo por lá ter estado detido durante uma semana no ano de 1967. Durante uma missão operacional a Sul de Antadora-Diaca, depois de ouvir as instruções do novo comandante de companhia: “vamos assaltar um acampamento onde pernoitam elementos da Frelimo, onde vivem famílias que os apoiam na logística, e tudo que mexer é para abater. Não vamos fazer prisioneiros, mesmo da população civil”. Como é sabido, os Pára-quedistas eram rigorosos e eficazes no cumprimento das missões de combate, mas não dizimavam população civil, especialmente mulheres e crianças.

Os murmúrios de descontentamento ouviram-se entre o pessoal da companhia; isso deu-me o ânimo suficiente para organizar o boicote à conclusão de tal assalto. Uma noite de chuva intensa ajudou a retardar o andamento da coluna que deveria estar nas proximidades do dito acampamento pela madrugada. Estando eu a recuperar dum ferimento sofrido na coxa esquerda, aquando duma emboscada no Vale de Miteda, por causa da fricção da farda molhada, comecei a ressentir-me e originei diversas paragens para ser socorrido pelo enfermeiro Armindo. Chegados ao local apropriado para preparar o assalto, a ribeira do Nango, afluente do rio Muera, estava caudalosa e impedia a passagem para o outro lado, onde estava localizado o dito acampamento. Esperando que as águas baixassem de nível, durante o dia, o pessoal foi dando sinais ao inimigo, tanto com o barulho dos cantis como ruídos de toda a ordem. Como à luz do dia não era aconselhável fazer o assalto, o tenente adiou para a manhã do dia seguinte, tendo sido encontrados apenas dois velhos dentro das palhotas. Vimos muitos sinais da presença de pessoas, mas nada mais foi encontrado.

A primeira missão do Tenente resultou num fracasso operacional. Logo fui acusado e ameaçado com processo disciplinar e tribunal de guerra.

Regressados a Diaca, acantonámos no Sagal onde estava o médico da companhia que me receitou diversos medicamentos para minorar a infecção que tinha na perna. Enquanto recuperava, outras missões foram levadas a cabo pela companhia, sem a minha presença.

Após dois dias do regresso ao BCP31-Beira, fui informado pelo oficial de justiça que tinha uma grave acusação com vista à minha detenção até que fosse concluído o processo disciplinar. Aproveitei os meus conhecimentos das Leis militares para elaborar uma exposição dirigida ao Chefe de Estado-Maior da Força Aérea, tendo entregue uma cópia ao comando do Batalhão, mas só o fiz no dia seguinte ao registo da carta nos correios da Beira. Pois, corria o risco da carta ser interceptada antes de seguir ao destinatário.

Dois dias depois, pelas dez horas da noite fui detido no meu local de alojamento provisório (arrecadação de material de guerra do batalhão de que era responsável), onde trabalhava em fotografia. Pelas seis da manhã embarquei num avião DO-27, escoltado por um oficial pára-quedista e dois agentes da PIDE, seguindo até Nacala e depois para uma prisão na ilha do Ibo. Por outros casos antecedentes, receei pela minha vida. E não fora a boa aceitação da exposição que mandei para Lisboa, que deu origem a um longo e complicado processo de averiguações, onde cerca de 40 testemunhas, escolhidas dum grupo de mais de 150 que se dispuseram a defender-me, não sei o que teria sido o futuro.

Curiosamente, em 2004, durante uma palestra na Quinta de Bonjoia, no Porto, encontrei-me com então padre da Paróquia de Mueda, Padre Faustino Limbombo. Ao ouvir a sua apresentação nessa conferência, apercebi-me que o mesmo nasceu precisamente na aldeia que pretendíamos assaltar e destruir. Disse que a mãe teve que fugir da tropa portuguesa e caminhar até outra aldeia mais a sul junto à mesma ribeira Nango, perto de Muidumbe; que isso aconteceu quando ele tinha oito dias de vida. Dos croquis e diário de missão que levava comigo e referentes a esse data, chegamos à feliz conclusão de que, a ser consumada a vontade do tenente Gonçalves, o padre Faustino seria uma das vítimas desse assalto. Há situações que nunca chegarão a ser esclarecidas como neste caso. Em 2005 desloquei-me até Mueda, onde encontrei o Padre Faustino na difícil lide com os fiéis da sua paróquia, que percorre, por picadas e estradas, de bicicleta ou de motorizada, consoante tenha ou não dinheiro para a gasolina. Fazia os percursos até Nangade e Mocimboa da Praia, todas as semanas. Juntamente com outros amigos, entregámos lá diverso material escolar, medicamentos para a varíola e alguns Euros.

 


Joaquim Coelho


14-M-Mueda, monumento,Coelho-Pq333.jpg


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