sexta-feira, 10 de março de 2017

  OS ESQUECIDOS

São muitos os combatentes esquecidos
e muitos os amortalhados na distância
desconforto de quem vive a ausência
dos camaradas abandonados além…

No silêncio das noites quentes
ouço os clamores graves dos ausentes
que outrora viveram nas camaratas
e tombaram nas picadas da morte…
guerra teimosamente prolongada
sem o consentimento do mundo
perante o silêncio mais profundo
duma nação em debandada.

No meu percurso do caminho
jamais esquecerei o pranto e mágoa
que muitos de vós suportaram
nos dias tristes dos corpos esfacelados
a ensanguentar os trilhos de morte;
não esqueço a traição dos desertores
nem o sofrimento esbanjado
por causa da cobardia dos “capitães”
que abandonaram a revolução
a troco dos garantidos tostões.


    Joaquim Coelho


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Guiné-Pára-quedistas em acção

AMORTALHADOS

Somos valentes caminhantes do sertão
que a África nos destinou a prazo…
envolvidos no prelúdio da escuridão
caminhamos nos sulcos já pisados
temendo a afronta das minas furtivas
como os combatentes desventurados.

Enquanto somos vivos desenganados
bebemos dos charcos apodrecidos
que servem de oásis nas savanas
nos dias sem chuva… adormecidos
com as vidas levemente estagnadas
aprontamos as vestes do caixão
descarregado da carlinga do avião.


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Joaquim Coelho




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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

BOAS FESTAS

Aos amigos deste espaço Desejo FESTAS FELIZES e as maiores venturas para o NOVO ANO.

Um abraço do Joaquim Coelho

domingo, 22 de novembro de 2009

Guerra Colonial - os Operacionais


Para que as memórias não esmoreçam, deixo imagens dos tempos da guerra que marcou a geração de 60/70.Click no Link:

http://www.youtube.com/watch?v=6Z69H-j8hHQ

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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Guerra Colonial - Embarcados

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Durante o período da Guerra Colonial/Guerra do Ultramar, muitos dos combatentes tiveram a sua primeira viagem sobre as águas do mar-alto. Foram dias de nostalgia com muitas emoções descontroladas. Enquanto combatentes, em determinadas operações, usaram barcos e canoas para cumprir algumas das missões. Deixo um vídeo com algumas imagens desse tempo.
. CLICK no Link

http://www.youtube.com/watch?v=r9fpjn8OlLg
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EM ALTO-MAR

Não importa de onde vêem
até chegarem ao alto-mar…
atulhados no porão do navio,
com os corações a baloiçar
libertam duas fumaças
em cada dia a disfarçar.

Há os que gritam: ao ataque!
Sonhos… com a instrução;
outros falam ao ouvido
já com saudades da moçoila
com o casamento resolvido.

Custa a engolir o último adeus
no alto-mar a causar dores…
ninguém parece preocupado
com o destino em viagem
nem com a morte e odores
que os signos insinuam
no desafio que os espera
entre a guerra e os amores.

É uma trajectória de vida
a passar por uma espingarda
nos dias mais atribulados…
ninguém quer a vida apagada
nem que a própria natureza
insista em marcar o destino
que a trajectória das balas
os salve da humilhação
de terem que regressar
na incerteza dum caixão.


Beira, Janeiro de 1966
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domingo, 12 de julho de 2009

Guerra Colonial - Embarque de Tropas


Para que conste e faça fé...
e que a memória não esqueça
os anos do terror e da guerra,
as imagens dos primeiros embarques
de Tropas Portuguesas para Angola.
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http://www.youtube.com/watch?v=1GiOnSVJSY8


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quinta-feira, 11 de junho de 2009

Monumento aos Combatentes

Em memória dos Combatentes mortos no ultramar - guerra colonial, foi inaugurado um Monumento na cidade de Ermsinde, concelho de Valongo. Por iniciativa da Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra e obra da Câmara Municipal de Valongo (o presidente Dr. Fernando Melo foi também combatente), a inauguração foi no dia 30 de Maio de 2009.
Entre os dias 23 e 30 de Maio, decorreu uma Exposição Fotográfica no Forum Cultural de Ermesinde, tendo encerrado no dia 30 com uma Conferência sobre o tema da Guerrra Colonial.
O tempo vai passando, mas as memórias dos tempos da guerra não esmorecem... e os Combatentes merecem ser recordados.

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sexta-feira, 29 de maio de 2009

GUERRA COLONIAL/ULTRAMAR - EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA

Está a decorrer até dia 3o de Maio, encerrando com uma conferência sobre o tema, até às 17 horas de Sábado.

Local: Forum Cultural de Ermesinde
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Inauguração do Monumento aos Combatentes do Ultramar/Guerra Colonial

Missa na igreja de Ermesinde: 10Hoo

Cerimónia de inauguração: 11H00
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TODOS À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

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DIA 3 de Junho, pelas 15H00 entrará em análise, pelos Deputados da AR,
a petição sobre O REGRESSO DOS MORTOS E ABANDONADOS EM ÁFRICA.


Os combatentes que poderem estar presentes nas Galerias da AR, deverão dirigir-se lá.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

RESGATAR os mortos - Petição entregue na AR


Com vista ao resgate dos combatentes mortos e abandonados em terras africanas, o grupo de trabalho do Movimento Cívico de Antigos Combatentes entregou ontem, na Assembleia da República, o DOSSIER com mais de 12.000 assinaturas e um plano de trabalho.
Estaremos atentos ao desenrolar dos trabalhos na AR.

O grupo de trabalho do MCAC com o Presidente e outros membros da AR



terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Natal na Guerra Colonial

BOAS FESTAS
aos Companheiros da jornada africana.
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O Natal dos tempos da guerra,
marcou as emoções dos soldados
que estavam longe da sua terra
com a saudade partida em bocados.

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O Natal na Guerra Colonial

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Só para não esquecer que houve uma guerra que marcou a vida de mais de um milhão de bons Portugueses, os quais sofreram os efeitos da ausência dos familiares e amigos na época do Natal, aqui deixo algumas imagens com MENSAGENS via RTP. BOAS FESTAS a todos vós, companheiros de jornada.
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Vontade do Mar - Guerra colonial

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Quando no isolamento do mato nos era permitido sonhar, o mar simbolizava o caminho para o regresso à pátria lusa.

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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Guerra Colonial - Resgatar os mortos

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Muitos anos passados desde o fim da guerra...
mas os tormentos não acabam enquanto
não forem resgatados os restos mortais
de todos os nossos companheiros
que perderam a vida nas campanhas africanas.
É um dever patriótico que o Estado-nação,
a que chamamos Pátria, já deveria ter cumprido.
Os antigos Combatentes não vão ficar quedos
enquanto os seus irmãos de infortúnio permanecerem
em sepulturas espalhadas pelo sertão africano.
Este vídeo é mais um alerta aos desatentos...
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Guerra Colonial - Homenagem

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TEMPOS QUE NÃO ESQUECEMOS
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Qualquer mancebo fardado
que embarcasse no navio,
tinha o destino traçado:
o perigo era um desafio!
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Enquanto marchava na picada
ou nos trilhos das matas,
ficava com a pele marcada
até regressar às camaratas.
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Se apanhava um tiro certeiro
na tragédia duma emboscada,
nem sempre tinha enfermeiro
para tapar a pele furada.
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O socorro tardava a chegar
porque o oficial das operações
andava com os coronéis a caçar
usando o heli das evacuações.
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Quantos mortos abandonados
por causas mal percebidas,
quantos feridos amortalhados
por não serem curadas as feridas.
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Para que as memórias não esmoreçam
a bondade da nossa juventude,
reclamo aos vivos que não esqueçam
estas imagens de solicitude.
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domingo, 24 de agosto de 2008

Moçambique 4 - Ilha de Moçambique, ponte

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A pacatez das crianças moçambicanas
contrasta com o movimento
dos transeuntes estranhos.

Aqui vemos trabalho, ouvimos música,
percebemos a dimensão do desenvolvimento
da língua lusa e o apego das pessoas à terra.
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terça-feira, 19 de agosto de 2008

Moçambique 2 - Costa do Sol

VISITA À COSTA DO SOL


Para quem teve o previlégio de se banhar nas águas da Costa do Sol e saborear o marisco fresco acompanhado com uma 2M, jamais poderia esquecer estes locais paradisíacos.


*Video:


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Moçambique 3 - Ilha de Moçambique

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MEMÓRIAS de SEMPRE
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Estar na Ilha de Moçambique é sentir a presença dos navegadores portugueses de outrora. As pessoas falam português com a mesma facilidade dos naturais da Pátria lusa. Existem muitos indícios da passagem dos portugueses por estas terras do Índico. O peixe e o cabrito dão para saborear a comida à portuguesa. As autoridades locais tiveram o cuidado de apresentar o seu folclore com o colorido das festas grandes.
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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Viagem a Moçambique 1 - Maputo



VIAGEM DAS COINCIDÊNCIAS
Um numeroso grupo de antigos combatentes em Moçambique, resolveu organizar uma viagem às terras por onde passou os dias da sua juventude - tempos de guerra, de angústias, de sofrimento misturado com momentos de alegria e de tristeza.
Juntamente com os Pára-quedistas do BCP32, sediado em Nacala, foi o ex-capelão do AB5 e família, mais três ex-combatentes do Exército. Inscreveram-se mais de 100, acabando por fazer a viagem 97 elementos.
Aeroporto de Lisboa

Por coincidência, nas datas marcadas para a viagem, estava prevista a tomada de posse do Governo eleito em finais de 2004, bem como a sucessão do Presidente Guebuza ao então Presidente de Moçambique, Joaquim Chissano. Na sequência de instruções dadas pelo Senhor Embaixador ao "grupo organizador", não seria aconselhável realizar aquela viagem em datas de movimentação política tão importante. Já que se tratava de um grande número de "viajantes", manifestavam interesse que fossem recebidos por representates de alguns organismos do Estado Moçambicano.
O José Praia deu música, durante a espera

Ao início da noite de 19 de Janeiro de 2005, os 97 "turistas" juntaram-se no Aeroporto de Lisboa, tendo recebido a notícia de que os Passaportes não tinham os vistos para a viagem. O representante da Embaixada de Moçambique aconselhou a que se adiasse a viagem; com telefonemas para o Gabinete da Presidência da República, para Secretários de Estado Moçambicanos, para o Presidente da Associação Portugal-Moçambique e contactos com os Delegados das Linhas Aéreas de Moçambique e TAP, lá veio a autorização para embarcar sem os "VISTOS". Estes foram dados no Aeroporto de Maputo. Cerca de 100 passageiros a ficar em terra, era um prejuízo considerável - o bom-senso acabou por prevalecescer.

A caminho de Moçambique

Qual não foi o espanto dos "organizadores" ao saberem que as coincidências eram mais que muitas, para justificar as cautelas das autoridades. Mais de quarenta antigos Pára-quedistas portugueses fazem parte da segurança dos elementos da RENAMO; o Hotel Tivoli, onde nos alojamos, tinha um andar a servir de "quartel-general" da RENAMO; nenhum grupo de antigos combatentes a visitar Moçambique tinha mais de 30 elementos; a data da tomada de posse do novo Presidente da República coincidia com os ùltimos três dias que estaríamos em Maputo.

As imagens que vamos postar no Blogue são a expressão clara de quanto os Moçambicanos gostam dos Portugueses de bem. A língua portuguesa está muito mais viva entre as populações do que no "nosso tempo". O Presidente Joaquim Chissano foi o grande defensor da língua lusa, criando escolas em todas as localidades de Moçambique.

Muito do que era dos portugueses foi adquirido pelos asiáticos, cuja gestão comercial e administrativa não agrada a muitos moçambicanos. Mas sente-se o cheiro da comida portuguesa por todos os lados. Os portugueses têm os melhores Restaurantes, estando também no turismo, comércio e construção.
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